segunda-feira, 22 de março de 2010

Quem é o homem?

Mas que coisa é homem,
Que há sob o nome:
Uma geografia?
Um ser metafísico?
Uma fábula
Sem signo que a desmonte?
Como pode o homem
Sentir-se a si mesmo,
Quando o mundo some?
Como vai o homem
Junto de outro homem,
Sem perder o nome?
E não perde o nome
E o sal que ele come
Nada lhe acrescenta
Nem lhe subtrai
Da doação do pai?
Como se faz um homem?
Apenas deitar,
Copular, à espera
De que o abdomen
Brote a flor do homem?
Como se fazer
A si mesmo, antes
De fazer o homem?
Fabricar o pai
E o pai e outro pai
E um pai mais remoto
Que o primeiro homem? (...) (Andrade, Carlos Drummond de. Especulações em torno da palavra homem. In:Obra Completa, Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967,p.302)

domingo, 14 de março de 2010

Vamos aos comentários?

Oi pessoal! Como vocês já puderam notar este espaço pretende complementar as reflexões iniciadas nas aulas de Filosofia sem, entretanto, configurar um caráter de
participação obrigatória. Então, comentem sobre o que já foi postado e ou enviem sugestões para aprimorar este nosso "outro" espaço...
Uma provocação: que tal uma viagem virtual para pesquisar ditados populares e suas respectivas verdades?
Fico aguardando....

segunda-feira, 1 de março de 2010

Memórias

E não me esquecer, ao começar o trabalho, de me preparar pra errar. Não esquecer que o erro muitas vezes se havia tornado meu caminho. Todas as vezes em que não dava certo o que eu pensava ou sentia, é que se fazia enfim uma brecha, e se antes eu tivesse tido coragem, já teria entrado por ela. Mas eu sempre tivera medo do delírio e do erro. Meu erro, no entanto, deve ser o caminho de uma verdade, pois quando erro é que saio do que entendo. Se a "verdade" fosse aquilo que posso entender, terminaria sendo apenas uma verdade pequena, do meu caminho. Clarice Lispector

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Verdade

VERDADE

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez

Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade
E os meios perfis não coincidiam

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade resplandecia seus fogos.
Era dividida em dois metades
diferentes uma da outra

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho,
sua ilusão, sua miopia.

Andrade, Carlos Drummond
Corpo. 9° Ed Record
R.J. , 1986.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Filosofias de vida

Desistir: difícil não é lutar por aquilo que se quer e sim desistir daquilo que mais se ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar e sim por não ter mais condições de sofrer. (Bob Marley)